Em reunião realizada na noite de ontem, segunda-feira (13), a Câmara Municipal de Três Pontas contou com diversos temas abordados pelos vereadores, mas o chamariz do encontro foi o assunto envolvendo o transporte de pacientes oncológicos do município.
Cobrança em relação ao transporte de pacientes em tratamento oncológico
Antes de iniciar a 60ª Sessão Ordinária, algumas pacientes em tratamento oncológico, bem como familiares de pacientes que passam por esse mesmo processo, estiveram presentes no Plenário Presidente Tancredo Neves para realizar uma cobrança, reivindicando o retorno do transporte desses pacientes para tratamento oncológico em Varginha. Segundo informações dessas pessoas, o transporte foi paralisado pelo Executivo Municipal.
Embora todos os parlamentares tenham opinado sobre a situação e demonstrado solidariedade, o vereador Myller Bueno de Andrade na condição de presidente da Câmara, trouxe à baila uma informação até então inédita. De acordo com o presidente do Poder Legislativo, em conversa com o prefeito Luis Carlos da Silva, o chefe do Executivo confirmou que pacientes em tratamento de quimioterapia e radioterapia continuarão sendo atendidos normalmente com transporte cedido pela prefeitura. Já os pacientes que estão em fase de consultas após o encerramento do tratamento e que possuem condições de locomoção com tranquilidade, irão em ônibus que os deixarão e também os buscarão na porta do Hospital Bom Pastor em Varginha.
Além disso, o parlamentar destacou que solicitou o envio de um ofício ao Executivo, cobrando uma manifestação formal do prefeito, com o objetivo de documentar essa decisão, garantindo maior segurança à Câmara de que não se trata apenas de um posicionamento, mas de uma medida que será efetivamente cumprida.
Expediente Parlamentar
Sem projetos na Ordem do Dia, os edis fizeram uso da palavra para pontuar ações, atividades e reivindicações. Acompanhe o resumo e os destaques dos parlamentares durante suas explanações no Pequeno e Grande Expediente:
Antonio Carlos de Lima: O vereador Tonho do Lazo criticou a efetividade do Projeto Bota Fora TP, segundo o edil, um bairro é limpo e na semana seguinte está sujo, acumulando lixo novamente. Ainda sobre o tema, sugeriu que houvesse um investimento para conscientizar a população. Informou que a pedido de uma cidadã procurou se informar sobre a questão envolvendo o transporte de pacientes oncológicos, segundo informações recolhidas pelo parlamentar, a pessoa que tem condições físicas e mentais, poderá ir para Varginha pelo ônibus, já as pessoas que não possuem condições, basta procurar a Secretaria de Saúde. Ademais, Tonho do Lazo citou algumas informações de uma denúncia que ele e um colega parlamentar ainda estão apurando.
Roberto Donizetti Cardoso: Sobre a questão do transporte de pacientes oncológicos, externou que, quando pensamos que a situação está ruim, sempre pode piorar. Robertinho Vermelho disse que várias pessoas o procuraram, o parlamentar ainda informou que na última quarta-feira foi cortado o transporte desses pacientes. Sugeriu que o prefeito visite as secretarias e saia às ruas para ver a cidade de perto e não ficar apenas dentro do gabinete; deve conversar com a população e acompanhar as obras. Explicou ainda que houve uma denúncia que o vereador, juntamente com um colega parlamentar, está apurando os fatos para obter mais informações.
Daniel de Paula Rodrigues: Afirmou que não considera o Projeto Bota Fora dinheiro jogado fora. Destacou que a prefeitura não cede mais caçamba e que nem todos têm condições de arcar com R$ 300 reais para aluguel. Disse que continuará ajudando no Bota Fora, ressaltando que nunca faltou, sendo um projeto da Câmara, um investimento em consciência e educação. Agradeceu aos moradores do Pontalete pela colaboração no Bota Fora, ressaltando que foram dois caminhões. Relatou indignação quanto à questão dos carros para pacientes oncológicos e informou que oficiou a prefeitura. Reconheceu a necessidade de corte de gastos, mas não nessa área. Destacou a importância das emendas no auxílio ao Executivo e afirmou que a Secretaria de Saúde precisa rever essa situação.
Maciel Ramos: Relatou que foi cobrado por um pai de aluno da zona rural, que está levando a filha para a escola devido a problemas no transporte, seja por ônibus que estraga e situações que dificultam o trajeto. O vereador lembrou que foi aprovada a compra de sete ônibus e que é necessário acelerar esse processo, já que a cobrança é justa. Manifestou solidariedade aos pacientes oncológicos e disse ter ficado indignado com a situação. Ressaltou que respeita a opinião de todos, mas não concorda que o Bota Fora seja ineficaz, afirmando que há empenho.
Valéria Evangelista Oliveira: Solicitou envio de ofício para obter informações sobre o transporte de Três Pontas a Varginha, bem como para outras cidades, buscando uma resposta concreta. Declarou solidariedade à luta dos pacientes e agradeceu a presença dessas pessoas na Câmara. A vereadora explanou sobre suas atividades do final de semana, especialmente a atividade do Dia Mundial da Saúde no Parque Vale do Sol e sobre uma reunião com a Dra. Bruna do Comitê Gestor do Programa Três Pontas por Elas, tratando de ações para o fortalecimento da Procuradoria da Mulher. Além disso, informou que estará presente em uma visita técnica da Assembleia Legislativa de Minas Gerais em Varginha, o tema da visita será o Parlamento Jovem.
Geraldo José Prado: Informou que esteve às 5h da manhã na rodoviária e relatou o caso de um senhor que saiu às 4h30 da manhã de casa, no bairro Cidade Jardim, a pé, assim como outras pessoas do bairro Santa Edwiges. Coelho do Bar questionou cortes de gastos, perguntando “onde mais?” e criticou a retirada do carro de cidadãos com uma doença tão dura e cruel. Classificou a situação como uma vergonha, apontando desperdício de dinheiro com cargos. Defendeu que na saúde não se mexe, se amplia. Questionou se, caso fosse um familiar de político, haveria aceitação. Sugeriu que cortes sejam feitos no gabinete e nos cargos, não na saúde. Destacou que quem sofre é o povo pobre e simples, em várias áreas. Relatou ainda ter recebido informação de que apenas exames de urgência estão sendo marcados e disse querer esclarecimentos.
Matheus Dias Silva: Afirmou que, se o Projeto Bota Fora fosse um fracasso, não haveria tantos caminhões com materiais recolhidos. Destacou que é uma oportunidade para que pessoas, principalmente as mais simples, possam descartar seus resíduos, já que muitas não têm condições de pagar R$ 300 reais. Declarou total apoio ao projeto. Informou que, no último sábado, ocorreu o segundo encontro sobre fibromialgia e agradeceu ao Dr. Lucão pela palestra. Solicitou ofício de agradecimento à diretora da Escola Municipal Antonieta Ferracioli Duarte. Declarou respeito aos servidores da Secretaria de Saúde pelo trabalho realizado e relatou visita ao centro odontológico, destacando a necessidade de melhorias na infraestrutura, como ar-condicionado, já que ventiladores em centro cirúrgico representam risco. Sobre os pacientes oncológicos, afirmou que não é culpa do paciente e que, na saúde, se investe, não se corta.
Myller Bueno de Andrade: o presidente fez uso da Tribuna e iniciou dizendo que na última semana durante a reunião foi mal interpretado sobre a questão dos postos de saúde fechados devido ao feriado prolongado, o que resultou em uma superlotação do PAM (Pronto Atendimento Municipal). Myller explicou que não quis dizer que os funcionários dos postos de saúde não merecem descansar. Pelo contrário, todas as pessoas precisam de descanso. Segundo Myller, sua fala foi sobre a decisão do prefeito e a sugestão do edil foi fazer uma escala. O parlamentar acrescentou que o que não pode é fechar sabendo que a dor não escolhe dia nem hora. Sobre a oncologia, o vereador externou que em conversa com o prefeito, como já adiantado na presente matéria, o transporte não vai cessar. Sobre o Projeto do Bota Fora, o edil disse que é preciso respeitar as opiniões de todos, mas que na sua visão, o projeto é positivo e respondeu as críticas argumentando que os garis limpam todos os dias e o município ainda sim carece de mais limpeza, campanhas de vacinação são realizadas constantemente, e muitas pessoas seguem sem se vacinar. Ou seja, não é porque é uma ação pequena, que não importa. E mais do que isso, não significa que o Projeto não tenha eficácia, pelo contrário, tem sido elogiado pelo público.
A próxima sessão ordinária da Câmara será realizada no dia 23 de abril (quinta-feira) às 18h30 no Plenário Presidente Tancredo Neves.