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Contexto histórico da pessoa com deficiência é tema na Escola do Legislativo


17/04/2026 | Acompanhe os detalhes

A Escola do Legislativo “Professora Maria Rogéria de Mesquita”, realizou na noite de ontem, quarta-feira (16) mais uma oficina do Parlamento Jovem 2026 na Câmara Municipal de Três Pontas. Na ocasião, o vereador e presidente da Casa Legislativa do município, Myller Bueno de Andrade, ministrou o encontro que teve como tema o contexto histórico social das pessoas com deficiência (PCD), destacando avanços, desafios e mudanças de terminologia ao longo do tempo.

Durante a apresentação, foi abordado como, antigamente, expressões hoje consideradas inadequadas eram frequentemente utilizadas, o que refletia uma visão preconceituosa e excludente da época. Termos como “pessoa especial”, “portador de deficiência” ou até falas que associavam deficiência à doença, evidenciam uma construção social marcada pela falta de informação e principalmente de inclusão.

No campo histórico, foi pontuado que ainda no século XVII, pessoas com deficiência eram marginalizadas, muitas vezes vistas como incapazes de constituir família ou viver em sociedade. Ao longo dos anos, essas pessoas foram por muitas vezes encaminhadas para manicômios, internatos e hospitais psiquiátricos. Como exemplo citado pelo vereador Myller, o famoso Hospital do Juqueri, em São Paulo, fundado em 1898, que marcou a história do tratamento institucionalizado no país. Vale informar, que existem inúmeros relatos e apontamentos de que o Hospital do Juqueri possuía um tratamento desumano. No aspecto conceitual, foi explicada a deficiência intelectual como um transtorno do desenvolvimento, em que a criança apresenta níveis de cognição e comportamento abaixo do esperado para sua idade.

 

Instituições modernas

 

A criação de instituições especializadas também foi lembrada, como a APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), que surgiu em um contexto em que escolas regulares não aceitavam alunos com deficiência. Em Três Pontas, funcionava como uma escola simples, conhecida como “Pequeno Príncipe” e atualmente a APAE realiza cerca de 3.500 atendimentos mensais, incluindo serviços como fonoaudiologia e atividades educacionais, mantendo papel fundamental na inclusão. Foi informado que os jovens deverão realizar uma visita à APAE, com o objetivo de conhecer de perto a realidade da instituição e ampliar a conscientização sobre o tema.

 

Evolução dos termos

 

Outro ponto abordado foi a evolução dos termos utilizados, com a substituição de “PNE” (Portador de Necessidades Especiais) por “PCD” (Pessoa com Deficiência), refletindo uma mudança de perspectiva mais respeitosa e centrada na pessoa. Inclusive, esse tópico foi discutido pelos alunos como um exemplo de capacitismo. Também foi mencionada a importância da identificação oficial pela Carteira de Identidade Nacional, com documentos que podem incluir símbolos, códigos e o CID (Classificação Internacional de Doenças), mediante laudo médico.

 

Acessibilidade

 

A questão da acessibilidade também ganhou destaque. Foi citado, como exemplo, que a Escola Cônego José Maria não poderá ser utilizada como local de votação por não possuir estrutura acessível. Além da acessibilidade física, foi enfatizada a importância da acessibilidade atitudinal, relacionada à forma como a sociedade se comporta e acolhe as pessoas com deficiência.

Por fim, o presidente da Câmara, Myller Bueno, também participou das discussões com os alunos, respondendo perguntas e abordando desafios estruturais que persistem em nossa sociedade.